15 de Maio

O menino que não escuta, mas toca rock and roll!

A associação do rock e do heavy-metal a estilos virtuosos como o erudito e a ópera é rara e são essas influências que fazem do rock um estilo único. Diversos músicos do gênero buscam suas inspirações em mestres eruditos, influências de um tempo em que o rock nem sonhava em existir. Improvisadores como Johan Sebastian Bach, serviram de base para uma série de guitarristas como Eddie Van Halen. E quanto a Ludwig Van Beethoven, compositor alemão do final do século XVIII, que perdeu a audição antes de chegar aos 30 anos de idade e ainda assim continuou compondo? Será que existe algum seguidor do mestre germânico em terras brasileiras? Algum músico virtuoso que sinta a música, embora não consiga escutá-la?

Seu nome é Vinícius. Com 12 anos e surdo-mudo desde que nasceu, o garoto encontrou seu lugar no Instituto Rolling Stone. Às terças-feiras, no Centro Cultural Rio Verde, além das aulas do Instituto, acontece um trabalho voluntário de um posto de saúde, que presta atendimento psicológico gratuito a pessoas que não tem condições de financiar um tratamento. Denise, mãe de Vinícius, é paciente do posto e se encantou com a música que ecoava pelo pátio do Centro Cultural. Ao perceber que o som era tocado por pequenos músicos, da idade de seu  filho, perguntou se podia trazer o menino para assistir a uma aula do Instituto Rolling Stone. Ao ter seu pedido aceito, ressaltou que seu filho sofria de um pequeno problema: era surdo de nascença, mas sempre sonhou em tocar guitarra.

Algumas semanas depois, o menino chegou às aulas do Instituto, acompanhado pela mãe. Apesar de não escutar, o brilho nos olhos de Vinícius demonstrava que ele sentia a emoção do rock and roll assim que entrou na sala. Ao receber uma guitarra do professor para arriscar seus primeiros acordes, o sorriso foi inevitável, assim como as lágrimas de felicidade de quem realizava um sonho que até então parecia impossível.

Com a ajuda de Denise, o professor percebeu que Vinícius conseguia distinguir graves de agudos e sons limpos de sons distorcidos. Com um olhar curioso, perguntou à mãe o que eram aqueles números e traços na projeção do monitor. O professor explicou que aquilo era uma tablatura, que os traços representavam as casas da guitarra e que os números representavam os dedos a serem usados. Para a surpresa e emoção de todos, Vinícius entendeu a explicação do professor por gestos e, imediatamente, montou os 3 acordes e tocou a música perfeitamente.

O Instituto Rolling Stone abraçou o talento nato de Vinícius, que tornou-se aluno do projeto. Sem nem imaginar que foi Beethoven, Vinícius pode não escutar rock and roll, mas sente a vibração da música e sua paixão pelo estilo é algo indescritível, literalmente sem palavras. O Instituto Rolling Stone existe para isso, para provar que o sentimento do rock transcende os cinco sentidos e que não há limites para quem sonha de verdade. O rock é para todos!